terça-feira, 8 de março de 2016

Morte e vida poetina

expressão engraçada:
- veia poética.
salvadora também.
faz-me pensar que
morrer é
um bem maior
que o poeta
pode legar.
imagine:
os olhos baços
do poeta estirado no asfalto,
atropelado
pela sensibilidade,
e o sangue
borbulhando
abrindo caminho
entre o desgosto
cotidiano
através dos pneus dos carros.
fazendo sua própria via,
despertando flores,
alamedas de paz.
o cordeiro da remissão:
as pessoas olham
e o todo aquele vermelho
as absolve de serem
opacas.
uma hemorragia
fatal,
gerando vida
naqueles que são só
matéria.
arco íris,
nas íris
indolentes.
o pavimento corriqueiro
infectado de versos.
veia poética,
esta da morte.
afinal,
poeta bom
talvez seja
poeta morto.




*escrito em 2011*

2 comentários:

  1. Acho que foi nos idos d 2011 que conheci a tua poesia. Fiz bem em não lagar. Você é super!

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